segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ontem...

Ontem eu prometi que não ia chorar. Chorei. Chorei de saudade. Saudades de alguém que não importa o quanto eu chore, deseje e sinta eu nunca mais poderei abraçar. Essa palavra tem "peso" quando o seu significado realmente é: nunca.

Chorei ao escrever meu texto. Lembranças. Ainda nem sempre as melhores.

Eu tive um pai. Na minha inocência infantil, o melhor pai do mundo. No meu entusiasmo de adolescente, o pai mais amigo do mundo. Na minha solidão adulta, eu tive um pai desconhecido.

Meu pai foi uma pessoa que eu tenho certeza que eu não o conheci. Eu acreditava que o conhecia. Não. Sempre foi um estranho. Descobri isso quando ele partiu, que tudo que estava mascarado veio a tona, suas outras famílias e o quanto ele desprezava a mim e meu irmão.
Alguns meses recebi a notícia que o seu seguro de vida ele deixou para a família que ele adotou como sua. No exato momento o meu coração explodiu por dentro de tanta tristeza, não pensei no dinheiro, pensei que aquilo representava um pedaço dele pra quem ele gostava, e esse pedaço não era meu.

Eu o perdoei. Eu tenho certeza que eu nunca farei com ninguém o que ele fez a minha família. Não com o mesmo sangue frio.

Confesso que sofri mais outos Dia dos Pais passados. Sofria por que não era comigo ou com meu irmão que ele passava esse dia. Não atendia nossas ligações e as suas mãos nunca chegou um cartão mandado por nós. Sofria por não saber o por que do desprezo. Sofria por que eu o queria por perto. Sofria por que ai ainda era a menina dele.

Ontem eu chorei, mas não sofri.

Sorri, mas por dentro estava despedaçada, porém esse ano eu sabia que ele não estava com ninguém.

5 comentários:

pirajussaralondon disse...

É o meu pai também foi embora, e toda aquela imagem de super-herói que eu tinha dele foi pro ralo, pois a maneira que ele foi embora não me fez sentir em nenhum momento saudade dele, que ele siga a vida dele e deixe eu, minha irmã e minha Mãe seguir a nossa, porém nem tudo é tristeza, minha namorada tenho um filho e o pai dele morreu, acabei me tornando o pai dele e ontem ganhei presente, aliás esse já é o 3º dia dos pais que recebo presente, a melhor frase dele "Você é corinthiano, mas eu te amo"... confesso fiquei emocionado.

Carol disse...

É verdade Luci. Conheci o pai herói, o pai perfeito, e embora possa parecer contraditório, isso também não me fez muito bem, pois sempre busquei atingir a "perfeição" para me aproximar um pouquinho da imagem que tenho dele. Queria ter conhecido o homem, o que erra; afinal, perfeição não existe! Mas o lado bom de ter apenas essa imagem infantil, é que eu não tenho mágoa dele, ele nunca me decepcionou(como vc mesma disse).
Um beijo bem grandão!

PS: Seus textos também me emocionaram!

Pelos caminhos da vida. disse...

Retribuindo visita!

agora já não choro mais nessa data...
o tempo está apagando o que sofremos com ele.
o tempo irá te ajudar tb.

uma otima noite.

beijooo.

Youko Watanabe disse...

Não conheci pai nenhum, também sofri, senti falta e ele escolheu sua outra familia e filha.
Esse ano, no dia dos pais não chorei pela primeira vez na minha vida.
Pensei na minha familia, ela esta aqui e ele fez a opção dele nao eh mesmo?!
Então.. espero que ele seja feliz.
Beijos Lucí..

Dora disse...

Dizem que a prova de que estamos amadurecendo é começar a enxergar os defeitos dos pais (pai e mãe). Até uma certa fase da nossa vida os vemos como heróis e sem defeitos. É muito duro perceber as falhas e fraquezas deles. Muito mesmo. Sinto tanto pela sua tristeza, florzinha... eu me decepcionei muito com os meus também... em especial com a minha mãe... mas eu procuro não pensar muito nisso...
Procure as boas lembranças que você tem dele (do seu pai) e talvez ajude a amenizar a tristeza...
Tenha uma semana cheia de coisas boas, viu?!
Fuiiiiiiiiii!!!