segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não havia prazos

O telefone não tocou. Menti para mim mesma que não tinha importância. Mas tinha. Tem. Senti-me mal. Frustrada.Não era emprego. Era algo imensurável para mim. Culpa minha. Mania de colocar prazos, limites em tudo. A vida nem sempre segue os nossos desejos. A minha ao menos não.

Ninguém afirmou e confirmou que havia prazos, mas eu os coloquei e acreditei que realmente podessem acontecer. Desilusão. Ao menos a minha ansiedade deu espaço a frustração. Praticamente trocar o 6 por meia dúzia. Passa.

Agora sem prazos. Ficarei tranquila. Ainda chateada. Passa.

Pra completar a angústia. Minha mãe me liga ontem. Fazendo o papel de "mãe".

Não era o melhor dia. Nem a melhor hora. Eu não era a melhor pessoa. Descontei. Infelizmente.

Sofro com a minha intolerância, impaciência.

"Aprendi a me virar sozinha".

Sempre foi assim. Sou o tipo de pessoa que não gosta de dar trabalho e levar problemas para os outros. Aprendi um pouco a me "dividir" com o blog, que por tabela é meu "canto das lamentações".

Sempre fui a criança que era independente. Acordava sozinha. Sabia o que eu tinha que fazer e nas horas que tinha que fazer. Não ousei nunca reclamar o que eu via de errado dentro de casa. A única vez que ousei questionar, ouvi a resposta que foi a causadora de toda essa "instrospectividade".

- Mãe, por que você gosta mais do mano do que de mim?
-(demora na resposta) Eu gosto dos dois igual. Mas ele precisa mais de mim do que você.

Detalhe: Era uma menina de 6 anos. Ele um adolescente de 16. Quem precisa mais?

E essa não é uma lembrança fantasiosa, como dizem os psicólogos, em que as crianças não tem lembranças de sua infância, são apenas fantasias.

Nunca levei problemas para meus pais. Minha mãe nunca foi mãe. Amo-a. Porém eu não aceito que hoje aos meus 26 anos, ela queira recuperar o tempo perdido e me tratar como criança.Eu já cresci. E praticamente tudo que aprendi, foi com a vida, por que ela não me preparou para nada. Uma casa, uma cama e comida no prato, não faz de ti um ser humano. Apenas te faz domesticado.

4 comentários:

Nanda Assis. disse...

olá. esse relato seu foi muito bom pra mim, pois me fez refletir sobre meus filhos. acho que acabo por fazer mais pelo meu filho e deixo minha filha se virar sozinha. são crianças ainda, por isso seu texto me ajudou, pois creio que ainda tem tempo de mudar tudo isso. adorei ter vindo aqui hj e ler vc, notei que há muito sentimento em seu texto. desejo sorte e felicidades,
mas estarei aqui sempre, pois gosto de aprender com a experiencia dos outros, assim como hj aprendi.
e os meus poemas, são meus sim, gosto de escrever e cria-los, para aliviar a tensão do dia a dia. mas não sei se são bons, rsrs.
boa semana e bjosss...

Youko Watanabe disse...

Acho que sempre fui vista como "a" dependente da minha mãe e da minha irmã..
Admito que fui sim, por um bom tempo.
Consegui tirar essa impressão quando resolvi seguir aquilo que acredito; quando parei a faculdade que minha mãe queria e fui fazer algo que gosto.
Com o trabalho algumas coisas mudaram também, amadureci o suficiente pra hoje minha mãe dizer que aquela menininha se foi.
Minha mãe ainda me considera muito "fechada" pra ela, mas essa relação melhorou muito.
Apesar de tudo, ela esteve comigo nos piores e melhores momentos.
Tento entender, por mais que nada faça sentido.

Odeio prazos, fico ansiosa por eles, fico tensa.

Beijo pra tii Lucíííí...

Pelos caminhos da vida. disse...

Oi amiga!

Realmente jogamos nossas:

Desilusões...

Frustrações...

Traumas...

Tudo no blog,pois sabemos que do outro lado da telinha,sempre encontraremos:

Apoio,amor,carinho.

Hoje vc está com 26 anos,o que deveria ter aprendido com sua mãe,
vc aprendeu com a vida.
Amiga a vida é a melhor escola,e hoje vc é vencedora.

Uma dia muito iluminado pra vc.

Pode contar comigo.


beijooo.

pirajussaralondon disse...

Eu sofro de ansiedade crônica, chego a ter dor de barriga com ansiedade, querendo que as coisas aconteçam rápido e do jeito que eu quero, mas a vida nem sempre é do jeito que a gente quer, mas segue o jogo, ou melhor segue a vida, na verdade é que o mundo é fácil o difícil somos nós, o bichinho complicado esse tal de ser humano.