quinta-feira, 30 de julho de 2015

sobre melancia...

Eu de um lado da mesa, ela do outro lado.
 
Corto uma fatia da melancia... ela diz: "Força..Mamãezinha!!"
 
Sorrio pra ela, ela me devolve o sorriso sempre em dobro. Coloco o miolo da melancia no prato dela, corto em pedaços e alguns ainda com sementes...
 
Começamos a comer, não demora muito os pensamentos me tomam, eu ali sofrendo pra comer uma fatia de melancia pequena, sentindo-me cheia, olho pra ela.. que devora seus pedacinhos com cara de quem quer mais e não me engano, ela pede mais.. retiro mais um pedaço do miolo e dou pra ela.. ela come e vai deixando os pedaços com sementes de lado.
 
Eu lembro, lembro de quando estava gravida dela, em que eu tive problemas com melancia, eu comia metade de uma por vez, eu passava o dia, a noite, salivando por melancia, foram varias vezes que na saída do trabalho, quando parava no sinal a única coisa que eu pensava era na melancia gelada em casa. E assim era...
 
Ela pede mais, eu digo que ela ainda tem no prato, ela diz que tem semente, eu digo que ela tem que tirar que não pode comer... e ela começa..
 
"Por que??"
 
E eu..
 
"Por que nasce melancia na barriga".
 
Ela sorri pra mim, sorrio de volta. E eu já não aguentando com a minha fatia, penso... "Pra onde ia aquela melancia toda que eu conseguia comer.. quando estava gravida???"
 
Olho pra ela, a resposta estava ali na minha frente...
 
....com quase dois anos e meio!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

eis a questão...

Uma vez me disseram quem quando a mulher chega aos 30 ela passa a cortar o cabelo! Bom, posso dizer que quando ouvi isso achei que nunca ia acontecer comigo, sempre adepta do cabelão natural, mas..
 
...já passei dos 30 e posso dizer que somente agora tenho compreensão dos fatos.
 
Ano passado, deu a louca, eu não suportava mais aquele cabelo todo. Cortei. Cortei e me arrependi por todos os dias seguintes pelo o que fiz, mas ele já cresceu um bocado.
 
E estou nas minhas férias, vivendo um grande dilema cortar novamente ou não...Parece tolice minha, pra quem um dia perdeu tudo, era pra ser grata por ter cabelo, feio ou bonito, pode crer que é bem melhor que nada.
 
Mas não. Vivo esse dilema.
 
A verdade é que quando se chega os trinta e pouco, a gente passa a dar valor pro cabelo mais arrumadinho. Cabelo mais arrumadinho demanda química. Química boa demanda dinheiro. Cabelão significa alto custo, tempo no salão e depois tempo em casa. E vejamos, tempo é algo escasso pra mim, prefiro a praticidade. Praticidade é igual cabelo mais curto, mais fácil de manutenção, dinheiro e tempo...
 
E os fios brancos que aparecem, dizem que eu tenho que decidir isso de uma vez.

terça-feira, 28 de julho de 2015

...fogo..fogaça!

 
Precisa mais...?

... e ainda sabe cozinhar.... 












O que ele tem?
 
Tempero.
 
O que te falta?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ainda espero..

Pra você que está curioso para saber o que eu faço...
Sim. Por que pesquisar meus posts de junho e julho de todos os anos anteriores passa além de uma mera curiosidade.
 
Saibas que aqui não vai encontrar resposta alguma. Aqui não é minha agenda.
 
Agora se quiseres saber o que eu sinto e penso. Sinta-se a vontade, vai encontrar mais do que precisa saber e muito menos do que poderia saber.

Seria mais fácil perguntar...
 
"Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou"
 
(Resposta- Skank)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

c de sapo.

O meu primeiro contato com ela foi através de um "psiu" que veio da janela da minha sala. Ela debruçada na janela, esticando o celular pra dentro, pro sinal do wi fi ficar mais forte.
 
- Hey, teu nome é Lu..ne, como escreve "donde vc é?"
 
Eu não entendia o que ela me perguntava e tive que perguntar umas três vezes para me certificar que ela queria escrever "De onde você é?"...
 
Soletrei letra por letra, incluindo os espaços. Ela saiu sorridente, agradecida.
 
Uma mulher simples, humilde que esta fazendo uso das novas tecnologias, ao menos ela esta se esforçando pra escrever corretamente e isso com certeza so vai agregar conhecimento. Ela trabalha na limpeza, já sei todo o histórico triste dela, mas é alguém que eu passei a gostar de ter por perto.
 
Esses dias passando por outra janela ela debruçada com o celular esticado..
 
-"Hey, Lu... paciência escreve com c cedilha (ç)?
 
Olhei para os olhos dela e disse: Não. É com c! Virei as costas e fui, estava com um pouco de pressa.
Nas minhas costas escuta ela novamente... "com c de sapo?".
 
Apenas disse.. Não, com c de casa...
 
Ela me sorri agradecida, com cara de quem finalmente entendeu, Um olhar inocente de criança...
Eu devolvo o sorriso, singelamente.
 
Sem gargalhada, sem deboche, só quem reconhece a humildade e a inocência do olhar de quem me fez a pergunta é que vai entender a minha calma e carinho que tenho por ela.. e que venham mais perguntas, por que eu quero estar ali pertinho para poder ajuda-la.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

...

Depois do nascimento da Lígia, passei a enfrentar problemas com meus olhos, que sempre foram problemáticos, mas passei a enfrentar problemas com as minhas lentes, ter miopia, astigmatismo e ceratocone é só para os fortes.
 
Fiz essa associação, por que até então eu fazia a troca por achar que o grau havia aumentado, ou por um tempo suficiente de uso, que no meu caso, como as lentes são rígidas, se prolongam de 2 a 3 anos, mas logo que ela nasceu, aconteceu de a lente do olho direito começar a "embaçar" mesmo limpando, ela logo ficava assim e logo o mesmo problema passou para o outro olho.
 
Passei pelo oftalmo, que disse que era por estarem velhas. Até concordei.. fiz novas.

Eis que faz uns dois meses que iniciou novamente o mesmo problema anterior. Marquei consulta novamente, afinal do jeito que está não da para ficar. Para minha surpresa fui encaminhada para um médico novo. Fiquei extremamente satisfeita com a consulta, e fiquei mais tranquila... ele olhou meus olhos de cabo a rabo e me garantiu, que por todos os anos de uso de lentes, minha córnea e retina estão em perfeito estado, então o problema não é clinico e não deve ser nas lentes, o que esta acontecendo é que esta acumulando mais proteína em uma lente do que na outra, nada que uma limpeza mais profunda evitara que aconteça com as próximas que estão por vir.
 
Saí de lá feliz. Chovia bastante. Já era noite, afinal o transito de BC/ Itajaí em dia de chuva é o inferno, mas voltei pra casa de alma limpa e pelo menos mais tranquila, já andava a ficar preocupada com a infeliz coincidência, mas estamos bem... quer dizer...
 
Meu coração quase saiu pela boca quando ele disse que meu olho aumentou um grau e meio nesse período de um ano e meio também. Fiquei triste por isso, mas entendi por que meus olhos insistem em brigar, a diferença entre eles e cada vez maior..
 
...o que me fez pensar, que se até os olhos, diante das diferenças brigam, é uma lei da natureza... porém um depende do outro. Assim é!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

férias a vista...

A novela das minhas férias enfim chegou ao fim.
 
Quer dizer, eu coloquei um ponto final...
 
A algumas semanas ela manda me chamar na sala dela...
 
"Lu, você tem preferencia por uma das duas semanas?".
 
Respondi que não, ainda não tinha nada planejado. Então havia ficado acertado minhas férias com a turma que iria tirar na primeira semana. Passado alguns outros dias, ela me encontra na mesa do café, perguntando se não havia problema de me colocar na segunda semana, disse que não tinha problema..
 
Então ontem, ela manda me chamar...querendo destrocar a troca.
 
Não aceitei. Realmente não me importaria, mas eu também tenho direito a me planejar e se eu não colocar um basta, é bem capaz que em cima da hora ela tente mudar e eu tenho planos para essas férias.
 
Bem simples assim! Deixei ela torcendo o biquinho.
 
=)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Garotinhas...

Na saída do trabalho...Saponildo a esperar ...

Lígia corre em direção ao portão..

"Ehhh papai! Ehhh papai!".

Ele pega ela no colo e parte em direção ao carro, eu fico mais atrás para fechar o portão.
Enquanto isso, passa umas adolescentes, de uma escola próxima (que vi pelo uniforme). Em bando, umas 5... uma delas passa por ele..

"Que papai gato!"...

outra...

"Eu queria um colo de um papai assim".

Elas não viram que eu o acompanhava, pois estava mais pra traz.
Não sei se ele ouviu.. não perguntei.

Pensa na minha ira interna, marquei a carinha de cada uma delas...

Meu ciúmes é comedido e nunca ninguém ve, e nunca ninguém sabe! Mas ele esta ali, escondido em algum canto...

sábado, 4 de julho de 2015

Coisas dela..

Normalmente não sou uma pessoa dada a dores, de nenhum tipo.. principalmente dores no corpo, geralmente quando isso acontece, significa que alguma espécie de resfriado está a rondar.
 
Hoje no supermercado entre o corredor do papel higiênico e os produtos de limpeza, senti uma pontada no meu joelho direito, de longe incapacitante, deu pra continuar andando, mas ela ali presente me perseguindo em cada passo, a única coisa que me passava pela cabeça era que eu queria sair o mais rápido possível dali e me sentar. Ainda faltavam as carnes, desisti e chamei Saponildo para irmos para o caixa, não me expliquei, com dor meu humor não estava dos melhores.
 
A fila era pequena, por ser sábado a tarde, estava aceitável, fomos atendidos em seguida. Eu com os olhos vidrados no monitor, por motivos para ter certeza que a mocinha falante não ia passar nada de mais e nem de menos. As compras terminaram, a Lígia permanecia naquela parte própria para acomodar as crianças nos carrinhos de supermercado e ela começa a gritar...
 
"Socorro..socorro...socorro! To presa..presa!..
 
Eu fui adiantando o pagamento e pedi para Saponildo pegar ela de uma vez, por que o escândalo estava grande. Notei que haviam dois rapazes, que eram os próximos da fila, eles riam que se acabavam, mas como eu estava ocupada acertando as compras, quando olhei, Saponildo pedia desculpas pra eles, mas nem me adentrei na história, afinal meu joelho gritava que eu precisava sentar.
 
Já no carro, enquanto a gente passava o cinto, Saponildo me conta o ocorrido, enquanto a Lígia gritava por socorro, os rapazes acharam muita graça dela... só que ela de muito mau humor, esticou a mão (fazendo sinal de pare) e gritou com eles..
 
"Pare. Não olhe na minha cara! Não olhe na minha cara!!..."
 
E obviamente tal atitude ainda gerou mais gargalhadas deles e mais cara feia dela pra eles... o que deixou Saponildo constrangido e a pedir desculpas.
 
Depois dessa, até a minha dor no joelho foi embora...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"LF"


 
 
A NOITE
 
 
Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce não para
É uma história que se complicou
Eu sei bem o porquê



Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você
E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão

Pro tanto que eu te queria o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer
E te dedico uma linda história confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você




Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou
E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão

Tiê

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Pequenas felicidades

No meio da tempestade, andei a procura das pequenas felicidades. Hoje a tarde e resolvi dar um passeio a pé com a Lígia, fazer algo que eu já estava procrastinando algumas semanas.
 
Alguns dias, amanheceu bem frio, para a nossa região aqui que não é tão fria, acabei tirando do armário uns ditos "cachecol" que minha mãe insiste em fazer as pencas todo o inverno, mesmo eu dizendo que aqui não faz frio para usar tal acessório, pois então que depois de muito tempo, usei por obrigação alguns. Acho que estou ficando velha, por que ando a sentir um frio absurdo no pescoço.
 
Bom, a primeira vez que a Lígia me ve com um, ela olha e "Que é isso?". Apesar que ela faz tal pergunta pra tudo que passa nos olhos dela. Eu digo que é um "cachecol" que a vovó fez. Ela me olha com uma carinha e diz que também quer colocar um "caquicol". Infelizmente ela não tem um, ate pela falta de necessidade, tem muitas toucas, boinas, chapéus, mas "caquicol". Não. Prometo a ela que vou fazer um pra ela.
 
É eu sei fazer tricô, aprendi com a minha mãe. Eu poderia ir na loja e comprar um, mas senti vontade de fazer um especial, aquele que ela pode dizer que foi a "mamãe que fez".
 
Saímos, hoje a tarde, rumo a loja de aviamentos, pra comprar uma linha e agulha. A loja não é tão longe de casa. Fomos a pé, conversando. Um momento de cumplicidade. Demorou mas chegou o tempo de eu ter uma companheira.
 
Quando passávamos por uma calçada, havia um cavalo bem próximo ao muro, bem provável que ela nunca viu um cavalo de tão perto antes, ela olhou pro cavalo e... "oi..eu sou a Lígia!". Ficamos ali paradas por alguns minutos conversando e ela dizendo pro cavalo que ela era amiguinha dele. Algo me diz que ele compreendia.
 
Na volta ele já estava mais longe...e ela cheia de sorrisos gritava e dava tchau pra ele.." Sou a Lígia, tua amiguinha!".
 
Um pequeno momento, mas vale o registro, por que eu me senti feliz ao ve-la feliz. O amor é assim, fica-se feliz com a felicidade de quem se ama.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tempo perdido..

Estar em paz, não significa estar feliz. Minha vida é uma mentira. Chego ao absurdo de fugir dos meus próprios pensamentos, fugir das minhas verdades não ditas. Inevitável as discussões, mais uma vez eu tento fazer com que ele me entenda, mas ele não quer me ouvir, ele finge pra si mesmo que está tudo bem.
 
Não está. Faz tempo que não está. Peço coragem na maior parte dos meus dias pra eu conseguir ir em frente sozinha. Ele explode. Ameaças. Uma noite. Vou levando a vida. Esqueço por pouco tempo e o ciclo interminável recomeça e nunca encerra.
 
Só eu sei o quanto eu tento. Tento acalmar a minha alma que sofre, tento sorrir, tento ser gentil. Tento agrada-lo fisicamente, por que internamente sou incapaz de conseguir.
 
Sofro. E há quem diga que sofro por que quero. E não tiro a razão de quem usa essas palavras, mas ninguém vive a minha vida pra me julgar e pra me entender.
 
"Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos
 
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo"
 
(Tempo perdido - Legião Urbana)