quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Onze minutos - Paulo Coelho

O primeiro livro que li esse ano:

Onze minutos - Paulo Coelho

Ele é um escritor criticado, tenho para mim, criticado por quem não leu sua obra. Esse livro como ele mesmo faz menção na dedicatória, é um livro diferente dos outros já escritos por ele. Ele o dedica a um homem que encontrou pelo caminho e disse que lia seus livros porque suas histórias o faziam sonhar. Corcordo. Paulo Coelho me permitiu sonhar com o mundo encantado. É um escritor de conto de fadas para adultos.

De inicio pensei que seria impossível não gostar de um livro já escrito por ele, que era impossível o livro não ter um encatamento e não me permitir sonhar. Ele estava certo, esse foi um livro diferente dos demais que já li.

Não me fez sonhar com anjos como em As Valquirias.
Não reascendeu minha fé como em Diário de um Mago.
Não me permitiu questionar o destino como em O Alquimista e Maktub.
Não me fez acreditar que bruxas existem como em Brida e nem em super heróis como Manual dos Guerreiros da Luz.

Onze minutos, é a realidade nua e crua, doa a quem doer. Fala abertamente sobre sexo. É um novo tema-tabu proposto pelo escritor. Ele inicia o tema através de sonhos e fantasias, quem de nós quando meninas não sonhamos com principes encantados e com o passar dos anos e com a maturidade chegando deixamos de acreditar piedosamente no amor?

O nome do livro é uma alusão ao ato sexual em si. Segundo a personagem esse é o tempo gasto no ato em si. Já que ela é uma garota de programa, e entre a saída do seu local de trabalho é o que resta para o homem que paga por seu oficio é onze minutos, o restante faz parte do teatro.

É a história de Maria, uma prostituta brasileira que sai fora de nosso país.  Ela não nasceu prostituta, ela nasceu como todas nós mulheres, uma menina cheia de sonhos e que a vida se encarrega de mostrar todas as facetas e decepções no amor. A descredibilidade de Maria em relação ao amor, me levou a crer que o final seria realista, que ela seria prostituta até o final de seus dias, mas não.

O encanto do livro está no final, todas as passagens escritas nos levam a crer que será um final como ela nos faz acreditar, mas não. Principes encantados existem ao menos em um livro de Paulo Coelho.


Algumas partes do livro que quero deixar registradas:

"O amor está mais associado à ausência que à presença da pessoa."

"Embora meu objetivo seja compreender o amor,e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo não conseguiram atingir minha alma."

"Ando pelas ruas, olho as pessoas, será que elas escolheram suas próprias vidas? Ou será que elas também, como eu, foram 'escolhidas' pelo destino?"

"É assim o mundo: falam como se conhecessem tudo, e se você ousar perguntar algo, não sabem nada."

"..ele está vendo a minha alma, meus medos, minha fragilidade, minha incapacidade de lutar com um mundo que eu finjo dominar, mas do qual não sei nada."

"A paixão faz a pessoa parar de comer, dormir, trabalhar, estar em paz. Muita gente fica assustada porque quando aparece, derruba todas as coisas velhas que encontra.
                Ninguém quer desorganizar seu mundo. Por isso, muita gente consegue controlar essa ameaça, e são capazes de manter de pé uma casa ou uma estrutura que já está podre. São os engenheiros das coisas superadas.
                 Outras pessoas pensam exatamente o contrário, entregam-se sem pensar, esperando encontrar na pai~xão as soluções para todos os seus problemas. Colocam na outra pessoa toda a responsabilidade por sua felicidade, e toda culpa por sua possível infelicidade. Estão sempre eufóricas porque algo de maravilhoso aconteceu, ou deprimidas porque algo que não esperavam terminou destruindo tudo.
                Afastar-se da paixão, ou entregar-se cegamente a ela - qual destas duas atitudes é a menos destruidora?
                 Não sei."

"O desejo não é o que você vê, mas aquilo que você imagina."

"Existem certos sofrimentos que só podem ser esquecidos quando podemos flutuar acima de nossas dores."

Um comentário:

marjoriebier disse...

Vim espiar e, embora ache Paulo Coelho o auge da pasteurização literária, seu blog é bem bacana.

Beijo