sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Vagabundo Confesso


Vagabundo Confesso - Dazaranha

Sou vagabundo eu confesso,
Da turma de 71 (2000)
Já rodei o mundo
E nunca pude encontrar
Lugar melhor para um vagabundo,
Que um rio à beira mar
Odoiá odofiaba salve minha mãe Iemanjá
Que foi que me deram pra levar
Pra dona Janaína que é sereia do mar
Pente de osso, laços e fitas
Pra dona Janaína que é moça bonita
Que é moça bonita

Café na cama eu gosto
Com um suco de laranja mamão
Iêêê e um fino em cima da mesa
Amanhã quando você,
Quando você for trabalhar
Tome cuidado
Que é pra não me acordar
Eu durmo tarde,
A noite é minha companheira
Salve o amor salve a amizade, a malandragem, a capoeira
É a capoeira


Essa música foi um hino quando eu comecei a faculdade. Ontem estava lembrando dessas coisas e o que desencadeou essas lembranças já não importa, mas tudo o que lembrei serviu para chegar a conclusão que não era aquele tipo de vida que eu queria levar, eu amadureci e minha vida mudou muito.Não que eu fosse imatura aos 18 anos, mas eu era bem mais inconsequente;

Morava com uma amiga, em 2000, mas nunca estavamos sós. Era uma pequena kitinet, que a gente brincava que nos contrariamos a lei da física em que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, por que nosso micro apartamento de cozinha, banheiro e quarto sempre estava cheio de gente.

Não tinhamos rotina, nem pra dormir, pra comer, pra nada. Apenas ir pra aula, das 7 as 10 e fazer os trabalhos que nenhuma de nós tinha vontade. E essa nossa falta de rotina incomodava demais os vizinhos.

Depois da aula, tinhamos uns amigos que começavam a trabalhar as 2 da madrugada, que ficavam em nossa casa até esse horário, já na saída da aula, já iamos conversando o que iamos fazer pra comer, era uma discussão pro cardapio, outra pra quem ia sair pra comprar o que precisa, outra pra quem ia cozinhar, e lá iamos comer pelas 4 da madrugada.

Eram tempos sem internet, era só música e muita conversa. Sim tinha bebida. Tinha festa todo final de semana, mas ninguém tinha grana pra pagar as casas noturnas daqui, então faziamos a frente, ficamos a madrugada toda na frente dos lugares. Ver o sol nascer na beira da praia. Fazer as correrias com uma amiga que passava mal. Era a vidinha que levavamos.

Não me arrependo disso, as vezes eu penso que eu poderia ter aproveitado bem mais isso tudo, estudado, me esforçado, tivesse dormido, me alimentado bem, incomodado menos.

Lembro uma vez, que eu fiquei muito mal de uma gripe, eu tossia a noite toda, acho que as vezes até dormindo, e meu quarto fazia divisa com outra casa, uma tarde, a moradora do lado me trouxe limões e mel e disse que era pra eu fazer um chá. E precisou de uma coisa assim pra eu respeitar mais aquela gente.

Por que todas as noites ficavamos ouvindo musica ate tarde no meu quarto. E quando eles batiam na parede, nós cantavamos.. Sou vagabundo confesso ...

É o tipo de coisa que eu jamais voltaria a fazer hoje e vejo isso como uma grande falta de educação, até como um comportamento ridiculo. Não sei se estudar ajudou eu mudar meu comportamento, mas eu tenho certeza que viver, isso sim me fez aprender a conviver e respeitar os outros.

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