quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Até os 8...

Eu sou gaúcha, nasci em Vacaria -RS, e vivi lá até os 18 anos, quando passei no vestibular e mudei pra Balneário Camboriú - SC, onde decidi fixar residência. Sinto muita falta do RS, não sei se é família, mas é de algo que só tem lá, o sotaque, a tradição. Aprendi a amar esse estado que me acolheu e há anos arrisco o "tais tolo nego" e um leve cantadinho.

Hoje resolvi falar um pouco de mim, e por isso falar de minhas origens. Falar de feridas e lembranças que nunca fecharam e que me impedem de voltar pra aquela cidade, apesar de amar tudo aquilo. Feridas que me afastam de minha pequena família, dos meu poucos conhecidos que ainda mantenho relação, feridas que nunca fecharam.

Faz algum tempo que vi na TV, passando de um canal para outro, uma psicologa falando, que crianças que crescem ouvindo os pais criticarem outras pessoas, acabam se desvinculando da sociedade, os chamados anti-sociais. A entrevista estava encerrada e não busquei mais pelo assunto, mas a frase ficou guardada na minha memória.

Ontem mais uma vez fui questionada sobre a minha falta de confiança nas pessoas.

A explicação está nas minhas origens, na minha familia, na minha educação.

Lembro de uma infância feliz até os 7 anos. Não lembro de ver meus pais brigando, meu irmão estudando e trabalhando. A imagem de meu pai abrindo a porta da minha sala de aula, indo me buscar pra ir para casa, é linda. Os finais de semana na casa da minha vó, as datas comemorativas.

Só tenho uma lembrança ruim desses tempos, e deveria ser a melhor lembrança. Uma amizade, quem acreditava ser a minha melhor amiga.

Minha mãe não deixava eu brincar na casa de ninguém, rara as vezes, e por pouco tempo, mas permitia que todas as minhas amigas brincassem na minha casa. Essa amiga, a G. tinha total liberdade de brincar onde queria, e quando ela tentava impor algo a mim que eu não aceitava, ela convidada as meninas pra irem brincar na casa dela, sabendo que minha mae nao deixaria.

Lá elas iam embora e eu ficava chorando e vinha minha mae conversar comigo, me levava para uma varanda nos fundos da minha casa que pegava o sol e começava a arrumar meu cabelo, fazer uma trança e a me explicar o por que ela nao gostava que eu fosse brincar na casa da G. e das outras crianças.

E a situação sempre se repetia, e minha mae tentava me proteger das maldades dela, mas nunca impediu nossa amizade. Até os 7 anos eu tenho lembranças lindas da minha mae, como ela me dava um beijo todas as noites antes de dormir, ela fazendo roupas lindas, arrumando o cabelo.

O problema começa dos 8 anos em diante, a nossa vida se transforma em um inferno.

(continua)

Um comentário:

Orlando Schlappkolh disse...

Lembrar do passado, e rever quem somos é sempre bom! família é muito importante para todos! todos precisamos da nossa mãe do lado brigando falando e principalmente nos ajudando!

Beijos