segunda-feira, 15 de agosto de 2011

e na hora da comida...


Uma das lembranças boas que tenho da minha família (são raras as lembranças boas) era dos momentos das refeições.

Minha família foi algo desajustado, "convencional" aos olhos dos outros, mas todos que viviam na minha casa sabia que ali era "cada um por si.."

A única regra valida, que não era somente por convenção era a hora do almoço e da janta, nessa hora tinhamos que estar todos sentados a mesa para comer juntos.Nao importa o que tinhamos por fazer, onde estavamos, em ponto ao meio dia e em ponto as seis da tarde.

Era nesse momento que acabavam-se as diferenças, não se existia o mundo dos adultos e o das crianças, era quando realmente estavamos juntos, cada um contava o que fez, o que aconteceu, era uma conversa solta, agradavel e ao fundo o barulho da TV sempre em algum jornal local e que todos deviam ficar quietos quando aparecia o indice da poupança, coisa que eu nao entendia, mas sabia que devia ser algo muito importante para o meu pai.

A unica outra regra, era que ninguem poderia deixar a mesa enquanto um de nos tivesse comendo e como sempre o ultimo a terminar era meu pai, nao por que ele era o mais demorado, mas era o que comia mais, acabava sempre nos segurando a mesa.

Sao habitos que me acompanham, não gosto de comer sozinha, preciso de alguem pra conversar, nao precia nem comer junto, é so sentar comigo enquanto eu como e me ouvir ou falar pra eu ouvir, é hora de troca de ideias, de sorrisos. Confesso que quando estou sozinha esqueço de comer, perco a fome e... herdei a velha mania de meu pai, nao me deixem sozinha a mesa, eu preciso que me acompanhem até o final, nao é questao de educação é questão de delicadeza e companherismo.

Nao me importo com a comida, com o local, com adereços e sim com uma companhia agradavel que saiba transformar esse momento, em algo além de satisfazer uma necessidade do corpo, mas sim em ser um momento de encontro, de acolhimento.

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