domingo, 30 de agosto de 2015

Sem flores.

Sexta-feira recebi o que seria o "boletim" da nossa pequena Lígia.
E a cada passo dos olhos o coração se corroía por dentro.
Coisas que tenho que aceitar mas é tão difícil de compreender. Entre fotos lindas dela toda sorridente fazendo atividades, um comportamento comunicativo, cheio das vontades e sem limites.
 
Por várias vezes me pego pensando o que fazer para mudar isso. Por que eu mais do que ninguém sei que a vida não será fácil pra ela se ela permanecer assim, mas ai olho pra ela e me vejo. Minha fotocopia, ela apenas não aprendeu como camuflar isso, e eu aprendi?
 
Não. Dizem que nossos filhos sempre são versões melhoradas da gente. Isso me preocupa, por que vejo uma versão bem atualizada minha.
 
Sim, eu a educo, por que ela vive em sociedade e vai precisar de alguns moldes, mas jamais vou conseguir moldar a personalidade, vem dela.
 
Muito inteligente, uma característica que vem despontando nela desde muito cedo e talvez denote dai a impaciência de brincar com os demais colegas da mesma idade, pois eles nem falam, enquanto ela já conta a história do Chapeuzinho Vermelho para as bonecas. Colegas que nem seguram o giz, enquanto ela já diz que vai desenhar uma bonequinha bem linda para a mamãe e assim o faz com direito a tronco, membros, cabeça, cabelo e olhos...tudo no seu devido lugar. Amigos que nem identificam as cores primarias e ela já define, azul escuro, amarelo queimado e rosa pink. Que já tem noção de quantidade e sabe contar até dez, enquanto pica o queijo e vai comendo.
 
O que posso fazer?
 
Nada.
 
Deixar o tempo correr. Ela tem professoras maravilhosas que sabem que eu conheço a filha que tenho e que não ia adiantar florir e que o melhor sempre escrever a verdade, por mais que ela doeu em mim.

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