domingo, 12 de abril de 2015

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Pai, amanhã fará oito anos que você deixou meu mundo mais negro. Lembro aquela manhã, o telefonema, minha mãe do outro lado tentando ser forte para me dar a noticia, eu não chorei, eu estava sozinha, longe e não poderia ir, mesmo querendo.
 
E assim foi. Eu não consegui chorar, a dor era imensa. Lembro da ultima vez que nos vimos, você foi me visitar naquele hospital, parecia estar tão bem, eu não sabia que seria a ultima vez que o veria.
 
Eu sempre senti enormes saudades suas e eu te perdoei e compreendi que você errou muito, mas acertou também. E que nos te perdemos muito antes de tudo isso.
 
O tempo apagou as magoas, mas deixou ainda mais saudade. Saudade da minha infância. De te ver sentado na beira da varanda tomando chimarrão de manha cedo. De ve-lo cortando a grama. Lavando o carro ou espremendo laranja para fazer teu suco favorito. Do teu riso fácil e de teus olhos ligeiros. De me ensinar sem a intenção a amar o mundo dos livros. De ver você deitado na cama aos sábados vendo o "Bolinha" na tv. Da tua mania de só tomar agua em caneca de alumínio. De não gostar de alho e cebola. Amar carne. Do teu adoçante e teu pao integral em cima da mesa. De você comemorar a baixa da diabete com um bolo. De gostar de filme de faroeste. De ver como você não sabia se vestir e não ligava pra isso. Do teu coração generoso. De ser uma pessoa tão querida e amado por todos. Isso é um pouco de tudo de bom que você deixou guardado dentro de mim.
 
E como eu me sinto orgulhosa quando dizem que me pareço com você, mesmo quando a intenção é enaltecer os teus defeitos, eu lembro que posso ter os herdado, mas também aprendi e herdei tantas coisas boas.
 
E ainda eu te vejo nos meus sonhos. De certa forma você ainda se faz presente na minha vida e amanha é um dia que com certeza todos nos lembramos, foi o dia em que teu coração nos pregou uma peça, que ele decidiu parar de bater e com isso, o coração de todos nós deixou de também parou de bater um pouquinho...

Um comentário:

Luz da Lua disse...

Caí no teu blog hoje e dei de cara com esse post... Reconheço a dor, a saudade, a falta...
Quando o meu pai faleceu, faz 3 meses eu publiquei o texto abaixo no face:

Depois de uma luta bárbara o guerreiro descansou... E isso não me serve de consolo e peço perdão pelo egoísmo, mas quando se tem o melhor pai do mundo que é também o melhor amigo, a gente não quer perder.
Estou amputada de todos os membros e sentidos e embora ele tenha me preparado para quase tudo na vida e me ensinado quase tudo o que sei, faltou a lição de como: viver, sobreviver e superar a falta que ele me faz e suportar essa ausência impiedosa e imponente.
E entre infinitas e incontáveis coisas boas que ele me deixou, o amor incondicional e inabalável é o que me conforta, e espero que seja a cura para essa dor que por vezes me quebra ao meio...