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sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Amores que não derão certo II"


"Porque eu não disse
As coisas que precisava dizer?"

Precisaram-se de 15 anos para uma história virar uma história de amor que não deu certo, até então para mim era apenas algo que eu fazia questão de esquecer do meu passado e lutei muito tempo contra isso e com o tempo eu realmente esqueci.

Conheci Tiago no pior ano da minha vida (que eu acreditava ser, mal sabia que piores viriam). Meus pais haviam acabo de se separar naquele ano e o problema nem era a separação mas o fato de me sentir enganada pela maioria das pessoas que eu gostava.

Minhas amigas, todas passaram a estudar a noite com a desculpa de precisar trabalhar, eu não precisava. Ia sozinha para a escola e ele era a primeira que eu via todas as manhãs, naquelas fardas manhãs. Achava que ele era o jornaleiro, então um dia pensei em pedir que ele entregasse o jornal mais cedo, por que eu gostava de ler o jornal antes de eu ir estudar, foi quando eu descobri que ele não podia ser o jornaleiro, pois ele não carregava nenhum tipo de jornal. Não vi jornal, mas foi o dia em que vi o quanto aquele cara que passava todas as manhãs em frente a minha casa era bonito, parecia o Axl jovem, com a cabelo castanho claro pelos ombros e o sorriso largo e mais tarde ia ver de perto que seus olhos eram verdes.

Desse dia em diante eu comecei a observa-lo, eu não sabia quem ele era, o por que ele passava ali todos os dias, os horários em que ele passava, passei a sair sempre nos mesmo horarios e não sabia o nome. Foram uns 3 meses de observação e um dia eu estava na janela do meu quarto, quando eu ouvi outro cara que vinha junto com ele chamando-o pelo nome.

Depois de mais alguns meses ele passou a me dar Oi, depois de mais outros meses um dia ele me parou pra perguntar se eu estudava em tal escola, que era óbvio, meu uniforme era daquela escola e se eu conhecia fulano, disse que não conhecia e ele assumiu que era só pra ter assunto e falou o nome dele e eu disse que já sabia e ele disse que tbm sabia o meu e que tbm sabia o meu telefone e se podia me ligar.

E a pergunta que todos aqueles meses eu tentei compreender, perguntei então aonde ele ia pra passar todos os dias ali pela frente e ele me disse que ia trabalhar e que trabalhava na chapeação na frente a minha casa, só que do outro lado na parte de estofaria.

Um ano que estava pre determinado a ser um pessimo ano, foi otimo. Todo o flerte foi até o resto do ano, eu já tinha feito novas amizades, a gente se via todos os dias, ele me ligava as vezes, lembrando que era uma época sem internet e telefone celular. Por incrivel que pareça ele não dava olhares para as minhas amigas e a gente só conversava, ele saia mais cedo me encontrava na frente da escola, dava um oi,um tchau e eu continuava sem saber nada da vida dele, só que ele morava em bairro bem pobre, estudava a noite (mais faltava do que ia), hj eu sei o qto é dificil trabalhar e estudar, precisa-se de muita força de vontade, coisa que a gente nao tem muita nessa idade.

Minha mãe que já andava desconfiada com tanta conversa dizia que não me queria de conversa com 'aquele pé rapado", sinonimo de pobre pra quem nao sabe, puro preconceito. E qto mais ela dizia isso, mais as conversas se tornaram frequentes.

Final de ano ela me fez viajar pra casa de uma tia dela, voltei só pra época do meu aniversário, faria 15 anos, sem festa e sem ninguém por perto. Voltamos a conversar e uma semana apos completar 15 anos, ele me liga e me convida pra ir conversar la na estofaria e que os patroes dele (meus vizinhos) haviam viajado e ele ia ficar lá cuidando naquela semana e se eu podia ir la fazer companhia pra ele. Sim eu não era ingenua e sabia o que isso significava. Minha mae tomava remedios pra dormir eu esperava ela dormir e fugia.

Finalmente virou um meio namoro. Ele cozinhou pra mim aquelas noites, contou da vida dele, que morava só com a mãe e com a vó, que não sabia quem era o pai dele, que ele ajudava em casa, a mae dele nao fazia nada, e que ele estava guardando dinheiro pra comprar uma moto qdo ele fizesse 18 anos, que seria no proximo mes.

Disse que queria casar comigo, mas ja sabia que a minha mae chamava ele de pe rapado. A gente riu, viu tv, comeu, namorou de forma inocente, eu só tinha 15 anos e sonhava com o principe encantado. Foi tudo perfeito até a última noite.

[....]

Sai de lá chorando com muita raiva dele, mas muita. Ele me pedia desculpas, eu não conseguia ouvir, eu não queria ouvir. Naquela mesma semana a minha mae chegou em casa contando que encontrou no posto de saude uma suposta namorada dele e que estava gravida. Minha mae nao ia inventar um negocio desses e se eu ja estava decepcionada com ele por outra coisa aquilo simplesmente caiu meu chão. Eu precisava desabafar com alguem e desabafei com minha ex cunhada, que contou pro meu irmão e que contou pra minha mae e que contou pra policia.

[...] Fui colocada em situações humilhantes pela minha propria mae, sim eu desejei a morte, se eu ja nao confiava mais nos meus amigos eu nao podia mais confiar em ninguem, e se eu ja estava derrotada por acreditar que ele tinha me enganado, o que mais eu podia fazer? Ai nasceu a vontade de sair daquela cidade e tracei isso como meta de vida.

Troquei o caminho pra ir pra escola, mudei horario, fiz de tudo pra nao velo, ele irritado com a situação que ele tbm foi colocado passou a me ironizar, passou a ligar pra minha casa dizendo perversões e assim continuou mesmo depois que eu sai daquela cidade, qdo ia visitar minha mae ele ligava e ficava me provocando se fazendo presente pra eu não esquecer que ele existia.

E eu não conseguia, eu lutava pra não amar mais, mesmo ele me dizendo os absurdos que me dizia e sofria pq ele tinha me enganado me iludido.

[...]

Precisou 15 anos. Visitei minha mae do feriado do trabalho, ela nao esta muito bem de saude, dei uma corridinha la enquanto nao me mudava, no mesmo dia que chego, no cair da tarde o telefone toca, como sempre qdo estou lá, sempre atendo, uma voz de homem do outro lado me perguntando de forma educada como eu estava, de imediato, nao reconheci a voz, a muitos anos nao a ouvia mais. Qdo reconheci, nao senti vontade de insultar apenas respondi com a mesma educação em que me foi perguntado.

Ele me ligava pedindo pra eu dar uma chance pra gente conversar por que ele queria pedir desculpas pelo que me fez. Precisou 15 anos pra eu conseguir fazer isso de forma madura.

Descobri que ele nao havia me enganado, que sim ele tem um filho, mas nunca viveu com a mae do menino e que ele terminou com ela antes da gente realmente ficar junto e que acreditava que eu nao falava mais com ele pelo o que aconteceu aquela noite e nao por isso, pq ele mesmo ficou sabendo que ela estava gravida depois de uns 2 meses depois daquele dia e pq eu nao falei isso pra ele.

Bom, ao menos tudo se resolveu, o tempo nao volta mais,  que foi dito ou nao foi nao faz mais diferença. Percebi qto o tempo passou qdo vi o filho dele de 15 anos, tao ou mais bonito que o pai e pensei que ele tem idade pra ser meu, mas nao é. E o que eu achei que nao doia mais, voltou a doer por esses dias.

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