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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Pequenas felicidades

No meio da tempestade, andei a procura das pequenas felicidades. Hoje a tarde e resolvi dar um passeio a pé com a Lígia, fazer algo que eu já estava procrastinando algumas semanas.
 
Alguns dias, amanheceu bem frio, para a nossa região aqui que não é tão fria, acabei tirando do armário uns ditos "cachecol" que minha mãe insiste em fazer as pencas todo o inverno, mesmo eu dizendo que aqui não faz frio para usar tal acessório, pois então que depois de muito tempo, usei por obrigação alguns. Acho que estou ficando velha, por que ando a sentir um frio absurdo no pescoço.
 
Bom, a primeira vez que a Lígia me ve com um, ela olha e "Que é isso?". Apesar que ela faz tal pergunta pra tudo que passa nos olhos dela. Eu digo que é um "cachecol" que a vovó fez. Ela me olha com uma carinha e diz que também quer colocar um "caquicol". Infelizmente ela não tem um, ate pela falta de necessidade, tem muitas toucas, boinas, chapéus, mas "caquicol". Não. Prometo a ela que vou fazer um pra ela.
 
É eu sei fazer tricô, aprendi com a minha mãe. Eu poderia ir na loja e comprar um, mas senti vontade de fazer um especial, aquele que ela pode dizer que foi a "mamãe que fez".
 
Saímos, hoje a tarde, rumo a loja de aviamentos, pra comprar uma linha e agulha. A loja não é tão longe de casa. Fomos a pé, conversando. Um momento de cumplicidade. Demorou mas chegou o tempo de eu ter uma companheira.
 
Quando passávamos por uma calçada, havia um cavalo bem próximo ao muro, bem provável que ela nunca viu um cavalo de tão perto antes, ela olhou pro cavalo e... "oi..eu sou a Lígia!". Ficamos ali paradas por alguns minutos conversando e ela dizendo pro cavalo que ela era amiguinha dele. Algo me diz que ele compreendia.
 
Na volta ele já estava mais longe...e ela cheia de sorrisos gritava e dava tchau pra ele.." Sou a Lígia, tua amiguinha!".
 
Um pequeno momento, mas vale o registro, por que eu me senti feliz ao ve-la feliz. O amor é assim, fica-se feliz com a felicidade de quem se ama.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tempo perdido..

Estar em paz, não significa estar feliz. Minha vida é uma mentira. Chego ao absurdo de fugir dos meus próprios pensamentos, fugir das minhas verdades não ditas. Inevitável as discussões, mais uma vez eu tento fazer com que ele me entenda, mas ele não quer me ouvir, ele finge pra si mesmo que está tudo bem.
 
Não está. Faz tempo que não está. Peço coragem na maior parte dos meus dias pra eu conseguir ir em frente sozinha. Ele explode. Ameaças. Uma noite. Vou levando a vida. Esqueço por pouco tempo e o ciclo interminável recomeça e nunca encerra.
 
Só eu sei o quanto eu tento. Tento acalmar a minha alma que sofre, tento sorrir, tento ser gentil. Tento agrada-lo fisicamente, por que internamente sou incapaz de conseguir.
 
Sofro. E há quem diga que sofro por que quero. E não tiro a razão de quem usa essas palavras, mas ninguém vive a minha vida pra me julgar e pra me entender.
 
"Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos
 
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo"
 
(Tempo perdido - Legião Urbana)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Conversa entre brincos e gargantilhas...

Sentada ao chão, encostada na cama. Abro a caixa.. olho com cuidado, são minhas verdadeiras joias, com suas historias e sem suas historias. Poderia contar os anos de casamento através delas.. dia dos namorados, aniversários, natais... pelo menos uma por ano, as vezes mais.. algumas com muito valor outras com apenas valores que não se pode medir. O que ninguém sabe é que elas sempre estão ali.. sozinhas, sem se exibirem em meu corpo. Escondo-as, mais por zelo, medo de perder pedaços da minha história.
 
Algumas preferidas, outras nem tanto. Gatos em forma de brincos e pingentes de prata, se perdem em meio a tanto dourado. Anéis, pulseiras, braceletes... mas a menina dos meus olhos são os brincos, de formas e tamanhos variados.
 
Tudo ali. ao meu alcance, e longe do alcance de qualquer outra pessoa.
 
Separo um conjunto de brincos, gargantilha e anel.. sim eu deveria usar.
 
Hoje pela manhã coloquei e confesso que me senti mais poderosa, usar uma joia nos da essa sensação de estar bem ornada e iluminada.
 
Agora a noite quando chego em casa, ele olha para o meu pescoço e sorri.. "olha quem está usando o presente que eu dei.. isso é bom, gosto de ver assim". Confessei que passei o dia desconfortável com o meu próprio pescoço, mas segundo ele é por que eu não insisto o suficiente por isso não me acostumo, mal ele sabe que eu já tento desde que me conheço por gente. Brincos e anéis, se adaptaram ao meu corpo.. pulseiras e gargantilhas, eu uso apenas para agradar quem me presenteia.