Telegram: https://t.me/inspiresonhos

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Stress"????

É normal hoje em dia as pessoas dizerem que sofrem de "stress". Ontem eu estava reclamando que estava "stressada" e ouvi um sonoro "stressada com o que? Tu tem tudo na mão.."

Realmente eu estou "stressada" com o que? Eu não preciso voltar muitos anos atras para chegar a conclusão que a minha vida é muito mais fácil do que já foi.

*Na minha casa, tinha um chuveiro que se você passasse mais de 10 minutos no banho, caía a chave e a água gelava e detalhe a chave ficava bem longe do banheiro.

*Fui ter TV em casa, já aos 3, 4 anos. Tv colorida aos 6! E fora que não tinha muitos canais. ( Fui do tempo que se colocava plástico colorido em frente a TV para dizer que via colorido, la em casa teve um vermelho que parecia rosa.. mas não era muito moderno, na casa da minha tia, tinha um com duas cores, vermelho e amarelo, isso sim era tecnologia!)

*Na minha casa só havia um banheiro para 5 pessoas, com a mesma rotina.

*Nem sonhava com Internet e muito menos com computador, que só tive acesso aos 15, 16 anos.

*Confesso que sou da época do vinil, meu pai fazia coleção e não havia lojas para comprar, ele esperava um senhor que viajava pra capital e comprava usados e revendia na minha cidade, um a cada 6 meses. A coleção dele era pequena..

*Confesso também que sou da geração "fita", meu irmão pedia os "discos" para os amigos e "pirateava" para fita.

*Confesso que sou da geração "CD"...e que meu sonho na adolescência era ganhar CD´s de presente, principalmente de aniversário, mas como era caro, nunca ganhei.

*Na minha cidade, praticamente não havia lojas de roupas, as minhas roupas até os 8, 9 anos foram feitas por minha mãe. Calçado eu só tinha dois: um tênis para ir para escola e um chinelo para andar em casa. E quando "arrebentava" a tira.. minha mãe colocava um prego em baixo do chinelo para segurar.

*Não havia detergente para lavar louças, geralmente se usava o sabão que era feito por minha vó, cujo cheiro lembra "sebo" de ovelha. E minha casa o assoalho era de madeira, minha mãe passava cera em pasta. Quem lustrava o chão? A enceradeira? Também. Mas de início até desempastar era eu com as minhas pernocas.

*A calçada não tinha "jato".. era no balde e vassoura.. e força!

*Comida, nem conhecia o sabor de uma pizza e sorvete.

Isso, que eu nem voltei tanto no tempo, apenas uns 10, 20 anos. Se voltar no tempo de minha mãe, ela viveu um bom tempo da vida dela sem luz elétrica, lavou roupa no rio e comeu aquilo que plantou.

E como eu posso reclamar que eu estou "stressada"?

Se eu lavo a minha roupa na máquina de lavar. Pago conta sem sair de casa. Tenho várias opções de canal de tv pra assistir, 'baixo" a música que eu quero a hora que eu quero, e se sentir vontade pego o telefone e peço um pizza".. É muito descaramento reclamar da vida.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não havia prazos

O telefone não tocou. Menti para mim mesma que não tinha importância. Mas tinha. Tem. Senti-me mal. Frustrada.Não era emprego. Era algo imensurável para mim. Culpa minha. Mania de colocar prazos, limites em tudo. A vida nem sempre segue os nossos desejos. A minha ao menos não.

Ninguém afirmou e confirmou que havia prazos, mas eu os coloquei e acreditei que realmente podessem acontecer. Desilusão. Ao menos a minha ansiedade deu espaço a frustração. Praticamente trocar o 6 por meia dúzia. Passa.

Agora sem prazos. Ficarei tranquila. Ainda chateada. Passa.

Pra completar a angústia. Minha mãe me liga ontem. Fazendo o papel de "mãe".

Não era o melhor dia. Nem a melhor hora. Eu não era a melhor pessoa. Descontei. Infelizmente.

Sofro com a minha intolerância, impaciência.

"Aprendi a me virar sozinha".

Sempre foi assim. Sou o tipo de pessoa que não gosta de dar trabalho e levar problemas para os outros. Aprendi um pouco a me "dividir" com o blog, que por tabela é meu "canto das lamentações".

Sempre fui a criança que era independente. Acordava sozinha. Sabia o que eu tinha que fazer e nas horas que tinha que fazer. Não ousei nunca reclamar o que eu via de errado dentro de casa. A única vez que ousei questionar, ouvi a resposta que foi a causadora de toda essa "instrospectividade".

- Mãe, por que você gosta mais do mano do que de mim?
-(demora na resposta) Eu gosto dos dois igual. Mas ele precisa mais de mim do que você.

Detalhe: Era uma menina de 6 anos. Ele um adolescente de 16. Quem precisa mais?

E essa não é uma lembrança fantasiosa, como dizem os psicólogos, em que as crianças não tem lembranças de sua infância, são apenas fantasias.

Nunca levei problemas para meus pais. Minha mãe nunca foi mãe. Amo-a. Porém eu não aceito que hoje aos meus 26 anos, ela queira recuperar o tempo perdido e me tratar como criança.Eu já cresci. E praticamente tudo que aprendi, foi com a vida, por que ela não me preparou para nada. Uma casa, uma cama e comida no prato, não faz de ti um ser humano. Apenas te faz domesticado.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Canjica...

Tudo começou com a canjica. Conversando com a Youko pelo msn, ela como sempre me oferencendo comidas que no momento eu nunca tenho em casa, fazendo-me passar vontades. Não é que eu estava cozinhando uma canjica? Pois é. O assunto virou em torno disso. Somos de diferentes regiões, o que canjica lá pra cima, difere um pouco do que é canjica aqui para baixo. Eu cheguei a uma conclusão, lá para cima eles gostam é de complicar, e eu ainda não entendi como eles comem canjica com o calor que faz por lá.

Com a canjica pronta. Fui "jantar". Eu o Sr. Sapo comendo. O assunto iniciou quando eu comentei que minha canjica não fica nunca igual a da minha mãe. E veio todo um momento nostalgia.

Na casa que passei boa parte da minha infância, tinha uma cozinha enorme, com um fogão a lenha, com janelas enormes (para meu pai observar a vida dos vizinhos). Não recordo-me da primeira vez que comi canjica. Mamãe conta que ela colocava só o caldo na minha mamadeira de lanchinho da tarde.. (algo bem light!).

Porém, recordo de chegar da escola no inverno e sempre ter em cima do fogão a lenha uma panela com canjica sempre quentinha pra se tomar com leite. Aquela sensação boa de você estar no frio e chegar em casa e ser recepcionada com o calor de uma cozinha aquecida pelo fogão a lenha, uma comida sempre quentinha.

Enfim, pensei em tudo isso, porém ainda não entendo o por que a canjica de minha mãe fica mais gostosa. Deve ser por que tudo que ficou no passado parece ser sonho.

Acordei.