domingo, 1 de novembro de 2015

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Ela via a chuva fina cair, já era madrugada, longe dava para ouvir o Capital Inicial, alguns gritos, motores de carro, ela ali de olhar parado, pensava que não queria estar ali, que queria ir embora. Seus amigos ainda estavam na festa e a chamaram pra emendar o resto na noite naquele barzinho da orla. Ela não queria ir, mas não tinha muita opção: era ir com eles ou ir sozinha pra casa. Como? Aquela chácara era retirado de tudo. Eles tinham bebido demais, ela só queria ir pra casa, tomar banho e dormir, não estava em um dos seus melhores dias.
 
Ele chega devagar, ela percebe sua presença na penumbra. Ele não tinha a intenção de assusta-la. E não assustou. Ele sorri. Ela lembra da festa passada...
 
..  eles se esbarraram na porta do apartamento, quando ela entrava. Ele já tinha bebido demais e ela já estava chegando quando a festa estava terminando. Eles se olharam na porta, ele apertou as bochechas dela e disse a ela que ele a achava linda. Ela devolvia o sorriso com vergonha, os amigos o puxaram e ele se foi.
 
Ela afastou a lembrança da cabeça, talvez ele nem lembrasse mais do sábado passado. Ele parecia estar sóbrio. Ele sorri e pergunta se ela estava triste. Ela mente, dizendo que não. Na verdade ele queria saber o que ela estava pensando mas ela não quis compartilhar com ele seus pensamentos, não naquela noite. Outras viriam.
 
Ela reparou pela primeira vez a tatuagem que descia pelo seu pescoço para as costas. Não ousou perguntar o que era. Não naquela noite. Outras viriam e ela aprenderia a desenhar as garras daquele pássaro só com o fechar dos olhos.
 
Ele ainda sorria para ela. Ela não estava em uma boa noite para conversas, sorrisos. A chuva continua a cair e ela so pensava em ir embora. Ela se despede dele... resolveu ir. Ele a puxa pelo braço e pede desculpas pelo final de semana anterior, ela apenas sorri timidamente.
 
Ele não sabia o que fazer e o que dizer.
Ela também não.
 
Ela foi andando, decidiu procurar uma carona. Ela olhou pra tras e ele ainda estava ali parado, sem reação.
 
Não naquela noite, outras viriam.
 
***
 
Eu sei que anjos vão para o céu!
Uma cena perdida no tempo e revivida enquanto escutava Capital Inicial.
Amanhã é finados e as lembranças vem a tona...

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