sábado, 18 de maio de 2013

Ali...

Tenho pensado muito sobre caminhos, escolhas e sobre minha relação pessoal com as pessoas ou a falta dessa minha relação.
 
Tento, mas não consigo. Endureci. É assim que me sinto, fria. Um tempo atrás ai, eu achei que estava mais doce, tolerante, apenas alarme falso. A única certeza é que em alguma fase da minha vida eu permiti que meu coração congelasse.
 
Fez um ano que havia retornado a terrinha. Agora foi diferente, um olhar diferente, uma busca e senti que definitivamente aquele não é meu lugar, permiti novamente que o frio congelasse meu coração, são as tristes lembranças que a cidade me traz, não vi em nenhum rosto, sinais conhecidos. Todos estranhos pra mim. Por que?
 
Por que pra mim eu conto nos dedos das mãos as pessoas que entraram na minha vida e permaneceram nela. E eu não sei por que sou assim, mas voltando a terrinha, lembrei que não nasci assim, um dia eu fui diferente, que eu cultivava amizades, eu só não sei onde e quando eu mudei, mas lembro que me tornei assim enquanto estive la, e a culpo por parte disso.
 
Eu fui a historia que todos diziam que ia dar errado, mas fui a única que deu certo. Pensei muito nesse olhar critico que as pessoas tinham sobre mim e não faziam nem questão de esconder. Quando ainda criança fui encaminhada para psicologa e taxada por louca por toda a família, pobres ignorantes, loucos eram eles, com valores morais distorcidos, eu era apenas uma inocente.
 
A vergonha ainda presente. Vergonha das coisas que meu pai fazia, e nem pensava em esconder, fazia ali pra quem quiser ver e comentar, sem pensar em todo mal que fazia a família e as crateras que nasciam em meu coração, que se transformaram no abismo entre nos.
 
Nos amores que não deram certo, que nasceram ali, entre olhares numa rua, que acabou em uma delegacia de policia e por fim um mal entendido desfeito, porem injustificavel, que os anos levaram as magoas, porem o passado nunca mais vai se apagar e pior nem se refazer.
 
Aquela amiga que sentava no meio fio da calçada, que riamos e sonhávamos, a mesma que está sozinha, rotulada, mas que ainda ri e ainda sonha e que foi capaz de perdoar a minha ausência por todos esses anos e me receber como se a última conversa fosse no dia anterior.
 
A escola, grande.. aquela em que por dias, semanas e meses, desenhei meus sonhos e escrevi meu futuro, mas nada que desejei ali se concretizou, a única vontade que nasceu naqueles bancos é que um dia eu sairia daquela cidade. Eu saí!

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