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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Para Pietro...

Festas e a grama do vizinho
 (Martha Medeiros)

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar, um certo queixume sem razões muito claras.

Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: "Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite.

É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho. As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias.

Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer,descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.

Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.

Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.


Pietro, sem tempo pediu que o texto fosse publicado!


Não tive palavras bonitas para me despedir de ti a noite, mas você sabe que lá no fundinho (mas bemmm la no fundinho) do meu coração, eu te quero bem, é gratificante pra mim fazer parte de toda essa trajetoria, de altos e baixos e a nossa amizade e carinho ainda continuarem integros e inabalaveis (inexplicavel tbm), mesmo com o tempo e a distancia.
Um bom recomeço, um prospero novo trabalho, que meus sentimentos positivos levem coisas boas pra ti e pra tua familia!

(as vezes eu sinto saudades do cara que ajudava o pai a reformar os moveis e que conversa comigo de madrugada)

... mas nossa vida seguiu e com uma unica certeza, "o mundo da voltas e sempre volta para o mesmo lugar"

E se acaso desapareceres, eu sonho contigo e você sempre volta, né?
Que a tua semana inicie e termine com todo o entusiasmo do mundo!

Lucí

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Percepções diferentes

Na saída do Pet Shop...

Ele: -Tu viu que bonito aquele carro ali estacionado?
Eu: - É horrivel, olha a cor dele..
Ele: -É da cor que eu to falando!.
Eu: - Mas ele é fosco, feio sem brilho.
Ele: - Mas é muito massa.
Eu:  -Sim, meu esmalte fosco tu diz que é horrivel, agora fosco no carro tu acha bonito!.
Ele: -Teu esmalte é horrivel mesmo!.
Eu: - A cor do carro também!

A prova de que homem e mulher nunca concordam em nada, principalmente se forem casados.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

De bem comigo

Eu ando me sentindo tão bem, não que as coisas estejam ótimas para mim, é interno. Eu ando em paz, de bem comigo.

Mudou tanta coisa na minha vida nos últimos meses, mas a minha maior conquista foi fazer as pazes comigo mesma, ando mais calma e menos agressiva com as pessoas.

Isso tudo vem acontecendo de um mes pra ca, me sentia bem, mas agora me sinto muito bem. Nunca entendi muito bem dessa tal de auto-estima, mas acho que é essa palavra que devo usar.

A mudança começou pelo trabalho, mesmo com o preconceito inicial que encontrei, com as desconfianças sobre a minha capacidade, de inicio tudo isso me fez tão mal, por que se tem uma coisa que me deixe mal é as pessoas desconfiarem das minhas capacidades, se eu digo que sei fazer algo, é por que sei! E tenho pavor de ser tratada como uma pessoa ignorante e pior ainda quando eu vejo que a pessoa nitidamente sabem bem menos do que eu.

Com a confiança estabelecida no trabalho, se tornar a pessoa de maior confiança dentro de uma empresa, sim pq uma escola particular é uma empresa, tornou tudo mais facil e a vida começou a correr com mais leveza, eu me sinto bem quando as pessoas confiam em mim, apesar de eu nao confiar na minha propria sombra.

Aprendi a amar meu trabalho, criar vinculos e até gostar de algumas pessoas que convivem diariamente, passar as tardes e receber a todo momento sorrisos de crianças "Oi pofi Lu" (o som do L é quase imperceptivel, é um UUUUU), ter um tempinho de trocar abraços e beijos com alguns deles, dar uns apertões em outros, ter que ser cordial, paciente. Foi tudo tão dificil no começo e hoje é algo natural, sinto até falta nos finais de semana.

Sentir-me util foi a maior mudança. Refletiu na minha relação com as pessoas, na minha vida social, todo final de semana tem um evento, é cha de bebe, é festinha de criança, eram coisas imaginaveis para mim. Recuperei o cuidado comigo mesma, comprar roupas, maquiagem, isso tudo estava tão perdido, que estou sentindo prazer em me arrumar a cuidar mais de mim, até saponildo notou a mudança.

Eu ando de bem comigo, será que essa é a crise dos 30 que tá batendo na porta? Por que cada ano que passa eu me sinto melhor, melhor do que quando eu fiz 15, 20 e acredito que a idade nao faz mal algum a mulher.

Com 20 eu até podia estar fisicamente melhor, mas nao canso de repetir, quem me dera eu ter a cabeça e a maturidade que eu tenho hoje.