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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

31 de 2009

Hoje a meia-noite, é a virada de Ano.
Muita gente veste branco e faz inúmeras promessas infundadas que não vão suportar a primeira semana de 2010.

Pra mim, como a maioria que entra no blog ou me conhece, isso não passa de uma convenção social, a data muda, mas a gente não muda. Mesmo assim eu fico feliz em ver tantos corações se enchendo de esperanças, é muita energia boa!

Não posso reclamar do meu ano, não recebi nenhuma surpresa inesperada e nem esperada. Foi um ano de renovações  e reflexões. Não perdi ninguém que eu amo. Ganhei alguns seres especiais em minha vida. Ganhei sorrisos e abraços de crianças. Amadureci. Briguei sem motivos. Afastei-me da internet um pouco, um mal necessário. Revirei as fotos da minha vida. Senti saudades. Chorei de soluçar e molhar travesseiro. Comi muitas coisas gostosas. Li muitos livros. Conheci novas músicas e cantores. Sorri e principalmente: eu sobrevivi a mais um ano!

E eu ainda acredito em um mundo melhor.

E  meu coração se enche de esperanças para o próximo ano.

E que venha 2010!

Ano par!

Um Feliz Ano Novo para todos aqueles que passam por aqui! Que seus corações se encham de energia positivas e que perdure por todo o sempre!

Feliz 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

eu tive um sonho...

Aquela dificuldade descrita por mim aqui para dormir há tempos foi embora. Ando boa de cama, apesar do calor e dos meu amigos inseparáveis: pernilongos e borrachudos! Hoje acordei em meio a um sonho bom, daqueles que a gente sonha e acorda feliz como se realmente tivesse acontecido o sonhado.

Um sonho que me acarinhou, apaziguou um coração turbulento, disse pra mim "eu tenho muito carinho por ti". Foi um apanhado de pessoas que eu eu conheço, não conheço e pessoas que eu não sei por que motivo entrariam em meu sonho, como o amigo do marido baleado em um posto de gasolina com cinco tiros, foi apenas sonho, ele está vivo!

Apesar desse fato triste, através dele outras pessoas seguiram comigo. Um me abraçou e me fez questinamentos. Outro dormiu ao meu lado me fazendo carinho, dizendo que sentia muito a minha falta. Outra me sorria sentada em uma varanda. Outra me entregava um exame de gravidez que eu não entendia, mas que estava feliz. Outro estava preocupado com algo. Outro me emprestava um livro e me dava um prazo para lê-lo. E outro disse que queria sentir o cheiro da minha pele. Outros desconhecidos compartilhavam inúmeros momentos e conversas, crianças que nunca vi, mulheres que disputavam um mesmo homem.

O lugar? Não sei. Vários. Um mix de gente e de lugares. Aquela casa que passei parte de minha infância, um posto de gasolina deserto com uma loja de 1,99 que comprei um vestido cinza, meu antigo quarto da adolescencia em que alguem dormiu ao meu lado sem malicia. Ruas sem calçamentos e asfaltos, estradas de terra, poeira e morros. Um ar quente! Insinuações.

E aquele amigo que fez parte da minha vida, sempre ali, tenho sonhado muito com ele. Foi meu colega de escola até o fundamental, quando o pai dele morreu e ele teve que passar a trabalhar e estudar a noite. Nos viamos com muita frequencia, ele morava na esquina da minha casa. Sentavamos no meio fio, conversavamos. Ele me contava de quem ele gostava e não percebia que eu gostava dele. Isso foi realidade, não foi sonho, e meus últimos sonhos ele sempre aparece, com aquela mesma aparencia de quando tinhamos 15 anos.
 
Não tenho mais contato com ele, apesar que sei que ele ainda mora na mesma esquina da casa onde vive minha mãe, mas não é alguém que eu gostaria que voltasse do passado. Vamos deixa-lo apenas nos meus sonhos e a vida seguir.

Ele entra no meu sonho, com aquele sorriso e olhos verdes que sempre me encantavam, anda comigo e conversa, apesar de eu nunca lembrar o que ele me diz. É como se ele tivesse parado no tempo! E queria lembrar o que conversamos tanto. Até pensei que realmente não é para ser lembrado, são coisas pra ficar em sonho, como o que se escreve em um blog, talvez eu conte a ele coisas que eu não queira que mais ninguém saiba, somente meu amigo de infância, preso no passado e em um sonho.
 
Eu sei o significado de cada parte desse sonho, por isso da importância dele pra mim e do carinho que ele fez na minha alma...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Deus das Pequenas Coisas

Como vocês acham que foi meu Natal?

Talvez esse post dê uma dica!

Li mais um livro ótimo. Quero deixar claro que minha intenção em colocar os livros que leio no blog, não é para indicar boas leituras ou fazer críticas literárias. Longe de mim. Apenas quero de alguma forma registrar o que eu leio. Sempre li, já li tantos livros que nem eu mesmo sei. Já tentei entrar naquele site em que podemos organizar os livros, entre os que já lemos, estamos lendo ou vamos ler. Não deu certo. Eu começo a futricar e quando vejo não classifiquei nada e já amplio a minha lista de leitura.


O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy

É um romance. É um livro não linear. Não espere encontrar começo, meio e fim.
Ele começa pelo final. E vai inserindo flash de histórias e prendendo quem lê, afinal qualquer pessoa quer saber o que aconteceu com Sophie Mol.

Começa contando o reencontro dos irmãos gêmeos bivitelinos não idênticos a sua cidade natal. Estha e Rahel. Estha foi o menino "devolvido" pela mãe para o pai.

As descrições as vezes me irritaram por que meu foco principal era a história.
Encantei-me em saber cada detalhe da vida de todos os personagens. As vezes eu leio um livro e gosto mais do personagem que não é o principal e fico sem saber nada sobre ele, nesse livro isso não acontece, todos tem suas histórias contadas.

A única coisa que posso dizer é que eu jamais vou esquecer essa história! Ela me fez encarar algumas questões de como um acontecimento pode influenciar a vida de tantas pessoas.  A autora conseguiu descrever algo que engatilhou e simplesmente destruíu a vida de muitos personagens.

Eu também encontrei essa passagem na minha vida.

Não esperem encontrar um final feliz ou um final final. É apenas uma história, que podia ser de qualquer um de nós.
Bom, vou deixar registrado aqui, algumas passagens que eu achei interessante:

"Todos desrespeitavam as regras. Todos ultrapassavam territórios proibidos. Todos desafiavam as leis que determinavam quem podia ser amado e como. E quanto."

"Ele explícou aos dois que a História era como uma casa velha de noite. Com todas as lâmpadas acesas. E os ancestrais sussurrando lá dentro."

"Era esse o problema das famílias. Assim como médicos hostis, elas sabiam exatamente onde machucar."

"E o Ar encheu-se de Ideias e Coisas a Dizer. Mas, em momentos como esses, só as Pequenas Coisas são ditas. As Grandes Coisas jazem lá dentro, não ditas"

"Suas cinzas. O pó de seus ossos. Os dentes de seu sorriso. Ela inteira reduzida a um pequeno pote de barro"

"Ela desviou os olhos. Ele também. Demônios da História surgiram para reclamá-los. Para tornar a envolvê-los com suas peles cheias de cicatrizes e arrastá-los de volta para o lugar a pertenciam de fato. Onde as Leis do Amor determinavam quem devia ser amado. E como. E quanto."

"Por que Ammu não tinha tido esse tipo de educação, nem lido esse tipo de livros, nem encontrado o tipo de pessoas que podia influenciá-la para pensar como pensava. Ela simplesmente era esse tipo de animal."

"Portanto, se lhe fosse concedido um pequeno desejo, talvez fosse apenas Não Saber. Não saber o que cada dia lhe reservava. Não saber onde estaria no mês que vem, no ano que vem. Daqui dez ano. Não saber para que lado sua estrada viraria e o que haveria depois da curva".

"Eles olhavam o mundo e nunca imaginavam como funcionava, por que sabiam. Eles faziam com que funcionasse. Eram mecânicos que cuidavam de partes diferentes da mesma máquina."